Descaso: Hospital de Biritinga usa copo descartável como máscara de oxigênio em bebê recém-nascido.

Bahia

Após a polêmica demissão de uma professora da Escola Municipal Manoel Souza, no povoado de Vila Nova, despedida do serviço por cobrar salário atrasado, o município de Biritinga, na microrregião de Serrinha, volta ao centro das atenções. Dessa vez, por falta de materiais para procedimentos de média complexidade.

Sem máscaras de oxigênio, o Hospital Municipal improvisou um copo descartável para salvar a vida de uma criança que nasceu no dia 4 deste mês na unidade, conforme relato de uma tia da criança à reportagem do Portal Cleriston Silva – PCS. O bebê nasceu com problemas respiratórios e precisava do equipamento (máscara de Venturi) para facilitar a entrada de ar nos pulmões.

O parto normal foi demorado e trabalhoso, segundo a tia. “Ela [a mãe] não tinha passagem para ter o bebê normal e o parto acabou sendo forçado. Como demorou muito tempo em trabalho de parto, a menina nasceu sem oxigênio. Foi mais de uma hora para reanimar ela, e depois fazer esse improviso e colocar ela no oxigênio”, explicou a tia, que, temendo represálias, pediu anonimato de sua identidade.

Ela criticou as condições precárias do hospital, mas elogiou a habilidade do médico, que ‘jogou com a sorte’. “Agente agradece muito ao médico que fez o possível, o que estava ao alcance dele para salvar a vida da menina. O médico colocou o copo no bebê, porque não tinha o aparelho nem nada. Ele [o médico] não tem culpa. Tentou ajudar”, diz a tia. A menina recebeu alta e já está em casa com os pais.

“Improviso é comum, acontece muito por aqui, mas dessa magnitude foi a primeira vez que me contaram. Está faltando todo tipo de material que um hospital necessita para atender com o mínimo de dignidade um paciente. Apesar de inusitado, foi a solução que salvou uma vida”, disse um funcionário público, estupefato com a situação.

Segundo os relatos de outras pessoas ouvidas pelo PCS, faltam insumos básicos para o tratamento dos pacientes e que, de acordo com comentários nas redes sociais, as roupas de cama e de uso pessoal dos pacientes são levadas de casa, já que o hospital não disponibiliza os itens. “Às vezes falta gaze, esparadrapo e até álcool no hospital. No mínimo do mínimo eles deixam a desejar”, relata uma moradora da cidade.

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